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Conhecendo Rembi

Posted in Ilustração, Toy com as tags , , , on Junho 3, 2008 by arteaoavesso

Esse cachorrinho aqui tem uma história um tanto curiosa. Rembi é um cachorro com um passado misterioso e uma história atemporal, entrelaçada com seu futuro e passado ao mesmo tempo, o que vai se desvendando a medida que você vai o conhecendo. Se Rembi fosse um personagem de um seriado seria digno de atuar em Lost. Complicou, né? Eu explico.

Conheci Rembi em idade adulta em meados de julho de 2006. Na época eu assistia os jogos da Copa do Mundo no Boteco do Bolacha, aqui da região, e um dia esse cachorro hepático com cara de doido parou pra conversar comigo. Estava indignado com a atuação da seleção brasileira, xingava o Parreira e o Zagallo de tudo que era nome impróprio e se dizia completamente inconformado com a então recente morte do humorista Bussunda. Ele parecia bastante abatido. Dizia morar no nordeste (embora eu não percebesse um sotaque acentuado nele) e teria vindo para o Rio Grande do Sul por algum motivo que não me quis confidenciar. Me revelou ser músico tocando numa banda de indie rock que estava sempre prestes a decolar, mas no momento estava passando dificuldades financeiras a ponto de não ter dinheiro pra voltar para sua terra. Papo vai, papo vem, acabei fazendo amizade com o rapaz. Digo… cão. Ele me pareceu bastante afável e simpático – embora seu semblante de doido – e sensibilizado com sua história, acabei hospedando-o aqui em casa. Foi mais ou menos nessa ocasião que acabei pintando-o. Dá uma reparada na pinta do bicho.

Rembi

O fato é que no dia seguinte ao do retrato, Rembi simplesmente sumiu do mapa. Acordei pra tomar café e vi em cima da mesa da cozinha um bilhete de sua autoria agradecendo a estadia e o retrato, mas que ele tinha que partir imediatamente pra seguir seu rumo, dizendo que sua missão estava cumprida.

Anos depois acabei por fazer uma viagem ao nordeste com o intuito de me encontrar com uma menina a qual já mantinha contato há algum tempo ;) . Quase já havia esquecido Rembi quando que tomado por uma inspiração divina, me veio a idéia de confeccionar bichinho pra presentear a moça. Talvez por algum motivo até então desconhecido, a figura do cãozinho amarelo ficou impreganada no meu subconsciente e o resultado final foi esse – Rembi versão filhote:

Rembi recém nascido

Hoje me dou conta do que aconteceu. É extremamente intrincado, algo que nem as mentes mais geniosas como Einstein e Hawking, tampouco Freud e Jung poderiam confirmar, mas eis aí a minha teoria da coisa. Rembi é um ser paradoxal. Ele se criou me utilizando como ferramenta em um fluxo atemporal. Ele é meu filho! Visitou-me em versão adulta para que eu de fato pudesse fazer com que ele existisse, o criando em versão filhote! E a prova está aí, minha gente. Reparem que há dois anos eu o retratei adulto e há cerca de um mês ele veio à vida em forma de filhote! Ou seja, se eu sou seu pai, a causadora disso tudo, a moça
para quem eu dei Rembi filhote, é a mãe!

Resumindo: Rembi, o filho, constituiu família, unindo pai e mãe.

Fantástico!